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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Condor

Na rapina que se empina junto a um sol a pino... Vejo nas asas dessa liberdade um Condor negramente impetuoso que me diz que o que busco está no meio. Está na liberdade de ser e o voar alto não me podem jamais tolher.

E pergunto a esse assustador pássaro se serei capaz de chegar além da compreensão onde reside a prática efetiva.

No extremo do que está alto e o que está rasante está o equilíbrio que não só é o alvo como também é o foco.

Compreendo, compreendo.

Logo aprenderei que no deslocamento de ar que brisa vindo das batidas das asas do Condor, de repente inalo ar para sobrevivência e repentinamente me desintegro na impermanência.




Laís de Souza

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O Olhar humano

O olhar humano quando encontra outro... Quanta troca, que sinergia!
Vejo nele quem eu mesmo sou, vejo texto sem palavras.
O olhar do humano, meu irmão e semelhante, me faz vê-lo em mim e reflito nele o mesmo...
O olhar humano se encontra no desconhecido e se reconhece. Reconhece a própria essência idêntica que é beleza comungada, desde sempre e que sempre existirá.

A beleza transcende diferenças do agora, ela nos foi outorgada.

Quando encontro um olhar humano ao encontro do meu, me sinto mais viva...
É um abraço sem movimentos, um beijo sem proximidade.
Certeza de humanidade, com propósitos e com amor.

O olho no olho, de humano pra humano.

Laís

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Se houver amor

Se houver amor, que ele seja destituído de rotina, de impermanência, de ausência...
E sendo assim, se o carinho surgir, que ele seja desapegado de obrigação, que seja alheio ao sentimento de apego doentio que parte do coração.

Se o amor surgir, que ele não me jure eternidade, que não me prometa nenhuma inverdade. Que ele respeite minhas limitações, que ele compreenda meus medos e a minha intrínseca solidão.

Que ele não se esqueça que atrás de mim, no tempo e no presente, há coisas que dizem respeito ao que sou hoje.

Se o amor resolver aparecer, que ele seja imutável, que ele permaneça impassível ao tempo e as intempéries dele.

E que se esse amor existir eu o saiba reconhecer e valorizar.

Que eu retribua com amor ao amor... Se houver amor.

Laís